
Soft Ground | Comporta 2026
4 Jul – 5 Sep 2026
Comporta
Com obras de Anne Lefebvre, Antonio Társis, Artur Lescher, Cristiano Lenhardt, Damián Ortega, Daniel Steegmann Mangrané, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Flávia Vieira, João Maria Gusmão, Laís Amaral, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Manuella Silveira, Marcius Galan, Marina Rheingantz, Marcos Siqueira, Patrícia Leite, Paulo Nimer Pjota, Paula Siebra, Pedro Tudela, Pedro Vaz, Rivane Neuenschwander, Santídio Pereira, Solange Pessoa e Vasco Futscher.
A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de anunciar Soft Ground, a sexta edição de sua exposição anual de verão em Comporta, Portugal, apresentada pelo segundo ano consecutivo em colaboração com a Mendes Wood DM e, pela primeira vez, com a galeria portuguesa Kubikgallery, de 4 de julho a 5 de setembro de 2026.
A programação deste ano acontece em dois espaços: a Casa da Cultura da Comporta e o Espaço Museológico Museu do Arroz. A exposição coloca a arte contemporânea em diálogo com a atmosfera singular da região, propondo uma forma de experiência mais lenta e contemplativa. Fundamentada na abertura e no diálogo, a iniciativa reflete o espírito colaborativo das galerias ao fomentar parcerias significativas com instituições afins.
Situada entre os extensos arrozais e as dunas douradas de Comporta — uma das mais longas praias contínuas do mundo e uma das reservas naturais mais importantes da Europa — Soft Ground confronta as crescentes pressões que hoje recaem sobre a região. As recentes temporadas de eventos climáticos extremos tornaram impossível ignorar a gravidade da situação: tempestades que avançam sobre a costa, cidades inteiras submersas por enchentes, uma paisagem que se transforma diante de nossos olhos com uma velocidade e uma violência que não deixam espaço para dúvidas. “Tenho testemunhado a transformação desta região ao longo das últimas décadas, e esses debates tornaram-se mais urgentes do que nunca”, afirma Maria Ana Pimenta, sócia e diretora internacional da Fortes D’Aloia & Gabriel, idealizadora do projeto anual. “Nos interessa trazer à Comporta uma experiência visual e material potente, ao mesmo tempo em que abrimos um diálogo sobre questões centrais para esta região e profundamente conectadas às práticas de nossos artistas.”
Foi justamente esse sentimento de crise acelerada que deu à exposição sua urgência. “As mudanças que estamos testemunhando não são apenas ecológicas, mas também sociais e políticas, e sentimos que isso precisava ser abordado agora, por meio da arte”, afirma Carolyn Drake Kandiyoti, sócia da Mendes Wood DM. “A crise climática e a especulação imobiliária deixaram de ser forças abstratas; elas estão remodelando fisicamente a terra e a vida daqueles que a habitam.”
Por meio de diferentes linguagens, os artistas observam atentamente este momento de transição. No lugar de elegias ao que foi perdido, as obras perguntam o que vem a seguir e se ainda há tempo para moldar esse futuro. Soft Ground é apresentada em dois espaços por três galerias cuja colaboração reflete a convicção compartilhada de que o momento exige uma resposta coletiva, uma troca artística que ultrapasse os modelos tradicionais de exposição. A Kubik Gallery tem marcado presença em Comporta durante os dois últimos verões, aprofundando sua relação com a região e sua comunidade. “Unir forças com a Fortes D’Aloia & Gabriel e a Mendes Wood DM em Soft Ground nos permite criar algo com verdadeiro alcance”, afirma João Azinheiro, diretor da Kubik Gallery. “Uma exposição que fala à região como um todo e à escala dos desafios que estão em jogo.” Juntas, as três galerias promovem um diálogo urgente entre gestos frágeis de cuidado e preservação e as forças ecológicas, sociais e políticas que ameaçam sobrepujá-los.
A exposição será acompanhada por um ensaio crítico da curadora e escritora Filipa Ramos. Ramos é uma das vozes mais relevantes na intersecção entre arte, ecologia e imagem em movimento, reconhecida por sua investigação rigorosa sobre coexistência multiespécies, fragilidade ambiental e políticas da paisagem. Seu texto oferecerá um enquadramento crítico para as questões levantadas pela exposição: a terra, a transformação e as formas de atenção e cuidado que ainda precisamos escolher praticar.