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Anderson Borba

Fugido

10 Jun – 1 Aug 2026


Abertura

10 Jun, 18h–21h


FDAG Barra Funda

Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Fugido, exposição de Anderson Borba que reúne esculturas, relevos e colagens produzidos a partir de materiais orgânicos, industriais e encontrados, como madeira, pedra, bronze, argila, papel e alumínio. Dispostas em cortejo ao longo da galeria, as obras assumem a forma de corpos antropomórficos híbridos, marcados por uma fisicalidade instável e por referências que transitam entre formas ancestrais e imaginários extraterrestres. A montagem confere às esculturas uma dimensão ritualística e conspiratória, como se as figuras estivessem reunidas em cerimônia, procissão ou assembleia secreta. Relacionando-se entre si como partes de um organismo maior, as obras ativam uma potência animista por meio da interação entre matéria, gesto e presença abstrata.

A pesquisa de Borba parte de práticas escultóricas antigas, do modernismo e de tradições vernaculares brasileiras, dissolvendo as fronteiras entre esses campos e condensando referências diversas em uma linguagem visual singular e instável. Suas esculturas evocam tanto artefatos arqueológicos quanto vocabulários da abstração moderna, ao mesmo tempo em que dialogam com a arte popular, as carrancas e práticas ligadas às espiritualidades afro-brasileiras.

Por meio de procedimentos de assemblagem e colagem, as obras conciliam solidez e precariedade em superfícies fragmentadas, vazadas e estratificadas, que sugerem processos contínuos de transformação. Borba também incorpora referências oriundas da moda e da cultura visual contemporânea, introduzindo tecidos, ornamentos, imagens pixelizadas e fragmentos gráficos extraídos de revistas e meios digitais, elementos que ampliam o caráter performativo e sensorial das peças. Esses tratamentos conferem às esculturas uma qualidade marcadamente pictórica, como se imagens tivessem sido incrustadas em suas superfícies. Em certos momentos, as obras oscilam entre objeto e imagem, com texturas, cores e fragmentos gráficos funcionando como composições pictóricas distribuídas pelo corpo escultórico.

Em Fugido, Borba apresenta um conjunto de esculturas e trabalhos de parede que aprofunda seu interesse por formas desviantes, corpos em mutação e narrativas não lineares. O título da exposição evoca deslocamento, fuga e transformação, atravessando questões ligadas à migração, à ancestralidade e à metamorfose da matéria. Entre estruturas de caráter brutalista e composições altamente táteis, as obras constroem um ambiente em que referências históricas, ficcionais e existenciais coexistem em permanente tensão.