
Até um carvalho enlouqueceu
7 Feb – 28 Mar 2026
Abertura
7 Feb, 15h–19h
FDAG Barra Funda
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Bruno Dunley | Laís Amaral | Marina Rheingantz | Richard Aldrich
Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Até um carvalho enlouqueceu, exposição coletiva com obras de Bruno Dunley (Brasil), Laís Amaral (Brasil), Marina Rheingantz (Brasil) e Richard Aldrich (Estados Unidos). Com abertura dia 7 de fevereiro na Barra Funda, a mostra reúne artistas de contextos distintos cujas práticas compartilham um engajamento com a abstração enquanto processo material, perceptivo e temporal — transformando o invisível em elementos pictóricos tangíveis.
O título da exposição faz referência ao mito de Orfeu, cuja música era capaz de comover animais, pedras e até árvores, suspendendo distinções entre matéria animada e inanimada. Ali, a força da música não reside na narrativa ou no significado, mas no próprio som, que atua diretamente sobre corpos e substâncias. Essa ideia oferece um enquadramento para a exposição, na qual a abstração se desdobra por meio de ritmo, densidade, repetição e comportamento material. Nesse contexto, as pinturas de Bruno Dunley testam a instabilidade da forma por meio de tensões cromáticas e hesitações compositivas. Laís Amaral trabalha com acumulação e apagamento, permitindo que as superfícies registrem tempo, pressão e resíduos. Marina Rheingantz constrói campos espaciais que oscilam entre paisagem, memória e abstração. Richard Aldrich aborda a pintura como um lugar de transferência, onde marcas, referências e decisões materiais permanecem provisórias e móveis.
Ao longo das obras apresentadas, a abstração não é entendida como redução da imagem, mas como um modo de endereçamento que não depende da representação. Linhas, manchas, planos e acumulações se afirmam como fatos físicos, produzindo situações concretas, porém não totalmente legíveis. O sentido permanece instável, emergindo da proximidade e da duração, mais do que da explicação. As obras funcionam menos como ilustrações e mais como eventos que se desenrolam no tempo e no espaço. Algumas pinturas se apresentam como sistemas de comportamento interno. Pigmentos escorrem, se condensam ou resistem; superfícies alternam entre zonas de atração e de recusa; passagens de intensidade visual cedem lugar a áreas mais silenciosas. Essas dinâmicas moldam a experiência do encontro com os trabalhos, sugerindo ações que se converteram em objetos e que continuam a operar neles.



