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ArPa 2026

27 – 31 May 2026

Rodrigo Matheus


Sobre a feira

Para a edição de 2026 da ArPa, Rodrigo Matheus apresenta um projeto solo que amplia seu interesse pela noção de “antes do presente”, escala temporal utilizada em disciplinas científicas para datar eventos posteriores à alteração química do globo causada por experimentos nucleares. Em conjunto, as obras desdobram um campo narrativo no qual imagens e materiais atravessam limiares entre origem e consequência, o natural e o construído. No centro do estande, uma instalação feita de espículas de aço e cabelo sintético aproxima o orgânico e o industrial, formando um tableau em que múltiplas temporalidades convergem e se deslocam. Ao longo das paredes, obras de menor escala expandem esse vocabulário por meio de desenhos e grafismos que citam pinturas rupestres, pictogramas arcaicos e momentos da história da arte moderna, negociando sua autonomia em imagens transitivas e saturadas.

Ao longo da apresentação, cenas emergem e se dissolvem: paisagens pré-históricas povoadas por dinossauros, ecos de pinturas rupestres, naturezas-mortas florais e paisagens abertas. Essas imagens são atravessadas por eventos elementares como erupções e tornados, nos quais a forma parece momentaneamente suspensa. Entre o tempo profundo e a imediaticidade da imagem, as obras encenam uma passagem contínua em que aquilo que é ancestral e aquilo que ainda está por vir permanecem em uma proximidade silenciosa e instável.

Rodrigo Matheus, paulistano radicado em Paris, produz esculturas e instalações a partir de aparelhos e instrumentos especializados, deslocados de seus usos habituais. Em diálogo com tecidos, galhos e lã, esses elementos tornam-se matéria de uma arqueologia contemporânea. O artista tem se dedicado a pesquisar as transformações técnicas e simbólicas que moldam a temporalidade contemporânea, articulando uma crítica sutil à tecnologia, às lógicas industriais e às formas de vida inscritas na cultura material.

Entre suas exposições individuais mais recentes estão Antes do presente, Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo, Brasil (2024); A Blow Through The Gap, Ghisla Art Foundation Collection, Locarno, Suíça (2019); e Hiato, Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo, Brasil (2018). Participou também de exposições coletivas como 1981–2021 Arte Contemporânea Brasileira na Coleção Andrea e José Olympio, CCBB Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil (2021); A Máquina do Mundo: Arte e indústria no Brasil 1901–2021, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil (2021); AAA Antologia de Arte e Arquitetura, Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo, Brasil (2020); Cities in Dust, Carpintaria, Rio de Janeiro, Brasil (2020); e Passado Futuro Presente arte contemporânea brasileira no acervo do MAM, MAM Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brasil (2019).

O artista tem obras em importantes coleções públicas, incluindo o Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil; Collection Lea Weingarten, Houston, Texas, Estados Unidos; MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil; macLYON, Lyon, França; Tiroche DeLeon Collection, Gibraltar, Reino Unido e Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil.

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