![WP00208_Wanda Pimentel_Sem título, da série Animais Preto_Branco _ Untitled, from the Black_White Animals series]_Ph Eduardo Ortega_DDH](https://fdag.com.br/app/uploads/2026/05/wp00208-wanda-pimentel-sem-titulo-da-serie-animais-preto-branco-untitled-from-the-black-white-animals-series-ph-eduardo-ortega-ddh-375x260.jpg)
Desenhos de Wanda Pimentel adquiridos pelo MoMA
Notícia, 12 May 2026
Wanda Pimentel
Dois desenhos da série “Animais Preto e Branco” (1965–67), de Wanda Pimentel, agora integram a coleção do MoMA – The Museum of Modern Art, em Nova York. A aquisição foi realizada por meio da Fortes D’Aloia & Gabriel, galeria que representa o espólio da artista. Produzido em um período formativo de experimentação, as obras integram um corpo de trabalho apresentado pela primeira vez na exposição da artista realizada em 2025 na Carpintaria, espaço da Fortes D’Aloia & Gabriel no Rio de Janeiro.
Trata-se da segunda aquisição de obras de Pimentel pelo museu, após a incorporação de uma pintura da série Envolvimento à coleção do MoMA, em 2024.
“Esta aquisição reforça a presença de Wanda Pimentel na coleção do MoMA e representa um reconhecimento importante da singularidade de sua produção. Ver esse conjunto de desenhos dos anos 1960 integrar a coleção do museu evidencia a força experimental de uma obra fundamental para o desenvolvimento de uma linguagem pop profundamente brasileira e latino-americana. Trata-se também de um passo significativo no reconhecimento internacional de Wanda Pimentel como uma das grandes vozes femininas da arte do século XX.” — Alexandre Gabriel, sócio-diretor da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel.

WANDA PIMENTEL, Sem título da série Animais Preto e Branco, 1966

WANDA PIMENTEL, Sem título da série Animais Preto e Branco, 1966
Sobre a artista
Wanda Pimentel nasceu no Rio de Janeiro em 1943, onde viveu até sua morte em 2019. Sua prática se distingue por uma qualidade precisa e de contornos definidos, com linhas geométricas e superfícies homogêneas em obras que frequentemente desafiam a categorização entre o abstrato e o figurativo. No final da década de 1960 e início de 1970, suas pinturas retratavam espaços domésticos e objetos do cotidiano em cores vivas, em alinhamento estilístico com a nova figuração brasileira. Nas décadas seguintes, a artista introduziu a paisagem carioca em seus arranjos formais, retratando montanhas e vistas observadas a partir de uma moldura-janela; construiu esculturas de de bueiros, direcionando o olhar para ambientes ocultos abaixo do solo, e pintou sequências de animais geometricamente representados, ampliando seu escopo para incluir figuras não humanas.
O início da trajetória de Pimentel coincide com o início de um longo período de opressão e violência estatal no Brasil após 1964, quando foi instaurada a ditadura militar, que perdurou até 1985. Esse paralelo evidencia como sua obra tanto reage quanto subverte o clima sufocante que marcou os chamados “anos de chumbo”, caracterizados por comunidades cada vez mais isoladas, valores sociais conservadores, grandes barreiras políticas e uma relação turbulenta com a identidade nacional. Nesse sentido, a obra de Pimentel funciona tanto como um código visual forjado sob condições opressivas quanto como um mapa para ressignificar o isolamento.
Internacionalmente, a obra de Wanda Pimentel tem sido incluída em algumas das exposições mais importantes dedicadas à revisão da arte latino-americana do pós-guerra, como Radical Women: Latin American Art, 1960–1985, apresentada no Hammer Museum e no Brooklyn Museum, e International Pop, organizada pelo Walker Art Center e itinerante para o Philadelphia Museum of Art e o Dallas Museum of Art. Mais recentemente, seu trabalho integrou exposições como Vital Signs: Artists and the Body, no MoMA – The Museum of Modern Art, e Pop Brasil: vanguardia y nueva figuración, 1960s–70s, no MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires. No Brasil, destacam-se exposições como Envolvimentos, no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, além de mostras recentes realizadas pela Fortes D’Aloia & Gabriel em São Paulo e no Rio de Janeiro, reafirmando o papel central de Pimentel na história da arte brasileira contemporânea.