2026-04-13_Galpão-058

Tatiana Chalhoub

Noite Quente

5 May – 13 Jun 2026


Abertura

5 May, 18h–21h


Carpintaria

Rua Jardim Botânico 971,
Rio de Janeiro

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Noite Quente, exposição de Tatiana Chalhoub na Carpintaria, marca a primeira apresentação individual da artista em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, em uma década.O novo conjunto de trabalhos reúne colagens em cerâmica, relevos em bronze e, pela primeira vez, um grupo de pinturas a óleo de grande escala que ocupa um lugar central na exposição. Ancorada na linguagem técnica e formal da pintura, Chalhoub se volta aqui ao óleo sobre tela, expandindo sua prática ao mesmo tempo em que destaca a capacidade do meio para a profundidade, a saturação e a transformação Peças soltas, fragmentos e resíduos são retrabalhados em reinterpretações da natureza, da história da arte ou de anotações mentais, convergindo em um universo de tonalidades líquidas e matizes aquosos. Entre o ícone e uma atmosfera íntima, os trabalhos acolhem o acaso e a imprevisibilidade do fazer em estúdio, com soluções pictóricas que emergem de rupturas, ruídos e desvios de processo.

A atmosfera da mostra evoca o cair da noite nas florestas urbanas do Rio de Janeiro, à medida que as sombras se adensam e a vida animal se transforma na luz que se esvai. Burning Night (Homem Doiguiano) (2026) apresenta uma figura humana curvada, um vislumbre distante de um enigmático habitante da selva ao entardecer, enquadrado entre troncos de árvores cujas superfícies são construídas em camadas densas e texturizadas de tinta. Asa de Inseto (2026), Casulo (2026) e Pássaro (2026) representam uma asa de inseto, um casulo e um pássaro em uma escala ambígua, entre o diminuto e o gigantesco, evocando processos de crescimento, metamorfose e expansão inscritos nessas formas vivas. Recorte de Papelão (2026) é o primeiro relevo em bronze de grande escala de Chalhoub, composto por formas recortadas cujos vazios sugerem um repertório de contornos florais que se reiteram ao longo da exposição. Como escreve a curadora e pesquisadora Fernanda Lopes no ensaio que acompanha a mostra: “Noite Quente não é uma exposição a ser vista a partir de um ponto fixo. Ela se desdobra à medida que o corpo se desloca pelo espaço, com a percepção em constante transformação. As obras oscilam entre proximidade e distância, sem jamais se fixar em uma única escala. Essa oscilação entre micro e macro não é apenas formal, mas estrutural: o trabalho só se completa plenamente através do movimento do corpo no espaço.”

Chalhoub nasceu no Rio de Janeiro em 1987, onde se formou em Design Gráfico pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 2012. Entre 2012 e 2014, trabalhou no ateliê da artista Lúcia Laguna, experiência que se revelou decisiva para a consolidação de seu vocabulário visual. A partir de 2015, sua prática passou por um deslocamento ao incorporar a cerâmica como campo central de investigação em pintura, movimento que se desenvolveu no contexto de um ateliê compartilhado com Arthur Chaves, onde permaneceu até 2018. Entre agosto de 2018 e janeiro de 2021, viveu na Europa, transitando por diferentes contextos de produção. Em Budapeste, realizou uma residência de seis meses que culminou na exposição On the grass apresentada no Project Space 1111. Em seguida, mudou-se para Bruxelas, onde compartilhou ateliê com artistas da cena local. Retornou ao Brasil em 2021 e estabeleceu-se em São Paulo, onde vive e trabalha atualmente.