![FW00154_Frank Walter_Untitled [Shark and three spheres]](https://fdag.com.br/app/uploads/2026/09/fw00154-frank-walter-untitled-shark-and-three-spheres-375x260.jpg)
Frank Walter: Filosofia da cor é a primeira exposição institucional de Frank Walter (1926–2009) no Brasil. Com abertura em 3 de setembro no MAC_BAHIA – Museu de Arte Contemporânea da Bahia, em Salvador, a mostra tem curadoria de Daniel Rangel e Barbara Paca.
A escolha de Salvador para receber a mostra se relaciona à presença marcante da cultura e da diáspora africana na formação da capital baiana, assim como à sua paisagem, que encontra ressonâncias nos espaços observados e imaginados presentes na obra do artista. A exposição reúne uma seleção ampla de trabalhos, contemplando diferentes caminhos desenvolvidos por Walter ao longo de sua produção: pinturas de paisagem, nas quais se evidencia sua atenção ao mundo natural; obras figurativas que incluem seres fantásticos, autorretratos, cenas da vida social caribenha, representações de diferentes grupos que habitavam a região, como os povos Aruak e Karib, além de cenas mitológicas; e pinturas abstratas e geométricas que articulam uma cosmologia profundamente particular. Em conjunto, essas obras revelam a maneira voraz como Walter absorvia os seus arredores, conectando pessoas e lugares por meio da história, como se viajasse no tempo.
O título da exposição faz referência ao papel central que a cor desempenhava na produção de Walter, tanto como elemento plástico quanto como instrumento de apreensão e organização do mundo. O artista procurava registrar o cromatismo particular dos lugares por onde passava, atento às relações entre paisagem, atmosfera e experiência. Ao mesmo tempo, atribuía a determinadas cores valores simbólicos relacionados à história, à ancestralidade e à heráldica — o campo dedicado ao estudo e à representação de brasões, emblemas da nobreza e seus sistemas de cores e símbolos. Walter trabalhava frequentemente com os meios que tinha à mão, pintando sobre fotografias, encartes de filmes, tábuas de compensado e outros suportes cotidianos. A escolha desses materiais estabelece uma relação particular entre a escala e a amplitude de sua produção: uma envergadura visionária se articula a suportes diminutos, frágeis ou corriqueiros, transformados pelo artista em superfícies para a construção de mundos vastos.
Nascido em Antigua em 1926, Frank Walter foi pintor, escritor, poeta, fotógrafo e investigador de temas que atravessam a história, a ciência e a filosofia. Considerado um dos primeiros pintores modernos do Caribe, desenvolveu ao longo de sua vida uma produção extensa, que inclui cerca de 7.000 obras de arte e um arquivo de aproximadamente 50.000 páginas. Sua obra está profundamente ligada às histórias de sua família, às questões de raça e ancestralidade, à história de Antigua e à diáspora africana, articulando referências caribenhas, africanas e europeias. Seus escritos, autobiografias e pinturas constituem um universo singular, no qual memória, genealogia, natureza, imaginação e especulação se encontram.