
Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar A palavra errada, primeira exposição de Rebecca Watson Horn na galeria. Produzidos integralmente em São Paulo, os trabalhos apresentados resultam de um período de permanência da artista na cidade, durante o qual absorveu ritmos, atmosferas e impressões que atravessam o conjunto da mostra. A exposição reúne as maiores pinturas realizadas por Watson Horn até o momento, além de uma série de trabalhos têxteis verticais.
As pinturas de Rebecca Watson Horn são construídas a partir de camadas de tinta a óleo aplicadas sobre juta montada sobre tela, combinação de materiais que produz superfícies densas, marcadas por acidentes, texturas e uma forte dimensão tátil. Em uma paleta que transita entre vermelhos profundos, verdes terrosos, amarelos luminosos, cinzas esverdeados e tons rosados, formas alongadas e campos cromáticos se expandem acompanhando a trama do tecido, incorporando sua estrutura à própria composição.
Cada imagem surge da transformação gradual de palavras, frases ou fragmentos de linguagem, que deixam de operar como signos legíveis para se converter em grafismos abstratos. A artista frequentemente associa esse processo aos sigilos — símbolos utilizados em práticas de encantamento, concebidos como condensações visuais de pensamentos, intenções ou desejos. Ao longo da pintura, o conteúdo verbal original é progressivamente distorcido até se tornar irreconhecível, cedendo lugar a configurações visuais enigmáticas e abertas.
Ao manipular vestígios da linguagem, Watson Horn cria situações em que o sentido se acumula e se desfaz continuamente. O olhar é convidado a vagar pela superfície ou a se deter em determinados trechos, como se acompanhasse oscilações entre pensamento e sensação, entre a fluidez da imaginação e a materialidade da pintura. Suas composições funcionam como registros visuais de estados perceptivos, articulando ritmos, memórias e associações que resistem à interpretação imediata.
Nascida em Boston e radicada em Nova York, Rebecca Watson Horn (1981) desenvolve uma prática centrada na pintura e no têxtil, investigando as relações entre linguagem, abstração e materialidade. Utilizando óleo sobre juta e tela, constrói superfícies espessas e texturizadas nas quais palavras e frases são gradualmente convertidas em gestos, marcas e formas pictóricas. Seus trabalhos são caracterizados por campos cromáticos sobrepostos, formas amorfas e uma atenção constante às qualidades físicas do tecido e da tinta, produzindo composições que oscilam entre escrita e pintura, estrutura e atmosfera. Por meio da repetição, da distorção e da acumulação, a artista trata a linguagem menos como um instrumento de comunicação do que como um campo de ritmo, memória e sensação.
Entre suas exposições individuais recentes estão Sono, na Villa di Geggiano, em Siena, Itália (2025); The Secret Life of Vowels, na Emanuela Campoli, em Paris (2024); Sigils, na Auroras, em São Paulo (2023); Letters as such, na Deli Gallery, em Nova York (2023); Rebecca Watson Horn, na White Columns, em Nova York (2017); e Rub It In, na Soloway, no Brooklyn (2011). Seu trabalho também integrou exposições coletivas como A Study in Form (Chapter Two), com curadoria de Arden Wohl, na James Fuentes, Nova York (2023); Always in my room bc I put effort into it & I love the vibe of my lights, na Starr Suites, Brooklyn (2023); The Practice of Everyday Life, na Derosia, Nova York (2022); JAG Projects at Forland, com curadoria de Jesse Aran Greenberg, em Catskill, Nova York (2022); e Pure Joy, com curadoria de Chella Man, na 1969 Gallery, Nova York (2022).