
A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Troca de segredos, exposição de Barrão apresentando novas esculturas e aquarelas na FDAG Jardins, em São Paulo. Os trabalhos são construídos com fragmentos de porcelana provenientes de um acervo de objetos decorativos e utilitários coletados em feiras de usados: conchas, morangos gigantes, elefantes, corujas e outros elementos de um universo doméstico kitsch. Organizados por cor e motivo em uma espécie de biblioteca de materiais, esses objetos oferecem uma paleta de acabamentos e esmaltes já existentes. A partir desse repertório cromático e formal, Barrão constrói estruturas abstratas cujos contornos ramificados e volumes proliferantes sugerem um crescimento orgânico.
A acumulação confere a cada escultura um caráter próprio. Barrão frequentemente expõe as faces menos reconhecíveis dos objetos, trazendo à vista suas superfícies anônimas e direcionando a atenção para o volume, o contorno e a silhueta. O reconhecimento torna-se intermitente: um detalhe familiar surge em uma estrutura que parece seguir sua própria lógica de aglutinação. Com temperamentos particulares, as esculturas evocam seres em metamorfose, como se registrassem as transformações de personagens de uma fábula. O título da exposição remete às relações de troca envolvidas nesse processo e sugere uma aproximação mais íntima entre as obras e o espectador. Objetos que circulam no mundo das mercadorias passam a estabelecer novas relações, intercambiando propriedades visuais e sociais à medida que seus fragmentos são reunidos. A partir desses remanescentes do universo doméstico, Barrão desenvolve códigos visuais nos quais a concretude dos materiais e as alusões simbólicas se reconfiguram mutuamente.
As aquarelas estendem essa investigação do volume e das relações espaciais ao suporte bidimensional. Variações na densidade da cor e da textura criam um espaço ao redor das formas, situando-as em diferentes profundidades. Algumas parecem se projetar para a frente, enquanto outras flutuam ou nadam logo atrás da superfície do papel. Se as aquarelas e desenhos no início da trajetória do artista funcionavam como projetos para suas esculturas, agora essas composições exploram possibilidades espaciais que permanecem no papel, interessadas em uma autonomia própria. Essas oscilações conferem movimento às composições e sugerem formas ainda em constituição. Na escultura e na aquarela, Barrão investiga como a cor, a acumulação e o encontro entre as partes podem dar origem a corpos com presença e atmosfera próprias.