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Janaina Tschäpe

piruetas de olhos abertos

9 Apr – 30 May 2026


Abertura

9 Apr, 11h–14h


FDAG Barra Funda


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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta piruetas de olhos abertos, nova exposição de Janaina Tschäpe, sua primeira individual em São Paulo desde 2019. Ocupando o espaço da galeria na Barra Funda, a mostra reúne uma seleção de pinturas panorâmicas de grande formato em óleo e bastão de óleo, aquarela e pastel. Produzidas entre seu ateliê em Nova York, onde vive, e Bocaina, em Minas Gerais, seu refúgio no Brasil, as obras são construídas por meio de marcações amplas e caligráficas que combinam uma fluência próxima à escrita com massas turbulentas de cor em constante mistura. Em um processo de trabalho próximo às dinâmicas naturais, a artista aborda a pintura como um campo de instabilidade e resposta. Gesto e desenho operam em tensão: a imediaticidade da pincelada encontra a resistência da linha, cada uma alternadamente interrompendo e desacelerando a outra. Em vez de construir uma imagem resolvida, o trabalho se desdobra como um acontecimento moldado pelo tempo, pela troca e pela transformação.

A paisagem de Bocaina, marcada por vegetação densa, afloramentos minerais, luz em constante mutação e os ritmos mais lentos de um ambiente não urbano, informa essas composições de maneira decisiva. Em vez de representar lugares específicos, Tschäpe absorve a atmosfera da região, traduzindo sua umidade, verticalidade e seus horizontes estratificados em campos de cor e marcação. warm field (Giftgrün) (2026), uma pintura de grandes dimensões, é atravessada por essa sintonia com os ambientes naturais. Uma disposição turbulenta de vermelhos terrosos, ocres e marrons forma uma atmosfera mineral na qual irrompem verdes que evocam visões fugazes de vegetação. O que está em jogo é uma coerência sob pressão — a estrutura que emerge do próprio processo. Essa sensibilidade se desdobra em diálogo com a vida da artista em Nova York, onde a complexidade do tecido urbano, a velocidade vertiginosa e a arquitetura desorientadora da cidade oferecem uma experiência espacial contrastante que permeia sutilmente as pinturas. Uma obra como swept away (2026) expressa esse clima: as fronteiras porosas entre céu, água e terra encontram ecos em composições fluidas e vaporosas, nas quais abstração e paisagem convergem.

dando piruetas de olhos abertos (2026), uma tela de grande formato em vermelhos e azuis saturados, estabelece um tom importante para o conjunto apresentado na exposição. Seu título introduz a ideia de ação dentro da paisagem: em vez de descrever um lugar, sugere um corpo em movimento, “dando piruetas de olhos abertos”. Desse modo, o espectador é implicado e sutilmente convidado a entrar na pintura e a tornar-se parte de sua lógica espacial instável, enquanto horizontes se inclinam, elementos giram e a figuração parece emergir apenas para se dissolver novamente no campo cromático ao redor. Ao articular a fisicalidade de seus gestos com paletas vívidas que evocam registros vegetais, aquáticos e geológicos, as obras evocam processos de crescimento, erosão e transformação, criando imagens que se aproximam menos de representações da natureza do que de extensões de seus ritmos.