
Jesse Wine
Amor e outros estranhos
7 Feb – 28 Mar 2026
Abertura
7 Feb, 15h–19h
FDAG Barra Funda
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Amor e Outros Estranhos, primeira individual no Brasil de Jesse Wine, do artista inglês radicado em Nova York. Com abertura em 7 de fevereiro, na Barra Funda, em São Paulo, a exposição reúne obras recentes em cerâmica e composições em bronze.
Wine apresenta três peças de argila em grande escala — de caráter biográfico, com partes do corpo arqueadas e expressivas que se fundem à arquitetura — além de composições em bronze feitas a partir de elementos botânicos moldados, coletados ao longo de viagens realizadas nos últimos quatro anos. Em conjunto, essas obras constituem uma espécie de diário, no qual a experiência pessoal é registrada por meio do material, da forma e da acumulação.
Membros, folhas, casas e edifícios surgem como ícones de uma memória suspensa. A matéria orgânica é preservada para além do tempo; a arquitetura permanece em um estado de interrupção. Aquilo que parece imóvel é continuamente reativado pelo deslocamento do visitante. Nem todas essas formas corporais se resolvem em partes claramente legíveis; algumas funcionam como massas ou zonas ambíguas — sugerindo a largura de um ombro, a inflexão de um cotovelo ou a densidade de uma área clavicular — volumes que registram a corporeidade sem se submeter plenamente à clareza anatômica. A manipulação precisa das propriedades dos materiais, capaz de fazer o duro parecer maleável ou o muscular se confundir com o mineral, está no cerne da prática de Wine. Em Evening, all day long (2026), uma versão simplificada e reduzida da casa do pai do artista afunda em um colchão esculpido, tornando-se um suporte híbrido para membros desarticulados. Já os elementos alongados de Song for my father (2026) criam uma estrutura de enquadramento composta por plantas fundidas em bronze, formando uma constelação delicada no limiar entre crescimento e decomposição.
Ao longo da exposição, as obras em cerâmica transmitem uma sensação de gravidade e compressão, como se fossem puxadas para baixo por seu próprio peso, enquanto o bronze apresenta uma elevação quase etérea — um movimento ascendente que introduz uma tensão direcional entre materiais, estados e registros. O trabalho de Wine reúne coordenadas autobiográficas e as organiza em constelações que permanecem abertas. Em Positions (2026), um braço se projeta para cima, coroado por formas bulbosas em forma de gota, ao lado de uma coluna de inspiração brancusiana, aproximando uma eflorescência mutante de um ícone reconhecível da escultura moderna. Uma vez abstraídas em motivos, essas formas operam menos como enigmas a serem decifrados do que como ideias ou imagens a serem sustentadas simultaneamente. O espaço doméstico, o mundo natural e o corpo se articulam em torno de noções de habitação e memória, mobilizando dimensões ao mesmo tempo universais e pessoais.
Em vez de resolver esses elementos em uma leitura única, as obras solicitam que sejam mantidas em um estado de suspensão produtiva, refletindo a própria condição da vida contemporânea, na qual múltiplas ideias — muitas vezes contraditórias — coexistem, se sobrepõem e permanecem em constante transformação.

