Sarah Morris

Rio

10 Fev – 14 Mar 2015


Abertura

10 Fev, 19h–21h


Galeria Fortes Vilaça


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Press Release

Galeria Fortes Vilaça e White Cube São Paulo têm o prazer de apresentar a primeira individual de Sarah Morris no país. Para essas exposições simultâneas – que incluem doze pinturas na White Cube, além de um filme e uma série de trabalhos sobre papel na Fortes Vilaça – a artista lança seu olhar para as duas principais cidades brasileiras, com suas complexas camadas de leitura.

Sarah Morris examina a cultura e a ideologia do capitalismo tardio e seus efeitos na arquitetura, no planejamento urbano e na burocracia social, dando origem ao que a escritora Bettina Funcke identificou como ‘a hiper-intensidade de nosso tempo’*. Ela descreve ainda que seus filmes e pinturas, atividades que a artista desenvolve paralelamente, atuam como uma maneira de investigar, traçar e jogar com as ‘tipologias urbanas, sociais e burocráticas’.

Na nova série de pinturas, em exposição na White Cube São Paulo, Morris foca-se na cidade de São Paulo buscando inspiração em uma ampla variedade de fontes, tais como suas construções modernistas, seus marcos icônicos e a paisagem geográfica única. Edifícios de Oscar Niemeyer, e sua influência no vocabulário visual do Brasil como um todo, bem como os trabalhos de Osvaldo Arthur Bratke, Roberto Burle Marx e Lina Bo Bardi, serviram como pontos de partida para Morris, ao lado de referências mais cotidianas como frutas tropicais, placas de rua e capas de LPs da bossa nova.

Nestas pinturas abstratas – todas em tinta esmalte sobre tela –,  Sarah Morris emprega duplicação, simetria e compressão para construir a tensão dentro de suas composições, utilizando uma paleta de violeta, laranja, amarelo canário, azul celeste e preto, em padrões que se repetem, se fragmentam e ‘desmoronam’. Assim como seus filmes, as pinturas emergem de uma fusão de influências e transparecem uma energia e movimento constantes.

Formas circulares parecem se proliferar, como reflexões abertas sobre a densidade urbana, ainda que contidas por faixas horizontais de cor ou fragmentadas e bifurcadas, lembrando um calendário lunar. Em algumas obras, como Fura-Fila (São Paulo, 2014), a artista se refere a aspectos específicos da cidade – neste caso, ao monotrilho experimental e controverso que por muitos anos manteve-se como uma presença inacabada e esquelética dentro da capital paulistana.

O filme Rio (89 minutos, 2012), que dá nome à mostra na Galeria Fortes Vilaça, é o décimo primeiro filme da artista e retrata as múltiplas e complexas camadas desta que é a mais contraditória das cidades registradas por ela. Não escapam ao olho de Morris o erotismo organizado e aparente dos cariocas, as diversas realidades da vasta expansão urbana, a sua produção industrial e as minúcias da vida cotidiana. À maneira de um flâneur, a câmera perambula por lugares tão diversos quanto as areias de Ipanema, edifícios-ícones da arquitetura modernista, estádios de futebol e favelas. O trabalho concentra-se na arquitetura, mas procura ir além ao tentar desvendar como a cidade opera sua interação social e por que, afinal, o Rio desempenha papel tão fundamental na construção da identidade do país no exterior.

No segundo andar da galeria, a artista apresenta um conjunto de trabalhos sobre papel. Em destaque, obras que Morris criou a partir de pôsteres de filmes emblemáticos do cinema brasileiro ou de alguma forma ligados ao país.

Sarah Morris nasceu em 1967, no Reino Unido; vive e trabalha em Nova York, tendo dupla nacionalidade. Suas exposições individuais recentes incluem Kunsthalle Bremen (Bremen, Alemanha, 2013); Wexner Center for the Arts (Columbus, EUA, 2012); Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen (Dusseldorf, Alemanha, 2010); MAMbo (Bologna, Itália, 2009); Museum für Moderne Kunst (Frankfurt, Alemanha, 2009); and Fondation Beyeler (Basiléia, Suíça, 2008). Ela também tem participado de diversas coletivas importantes, incluindo The Adventures of the Black Square, Whitechapel (Londres, Reino Unido, 2015); The Collection: First Exhibition, Fondation Louis Vuitton (Paris, França, 2014); Une histoire, art, architecture et design, des années 80 à aujourd’hui, Centre Pompidou (Paris, França, 2014); Wall Works, Hamburger Bahnhof Museum für Gegenwart (Berlim, Alemanha, 2013); CITY SELF, Museum of Contemporary Art Chicago (Chicago, EUA, 2013); Contemplating the Void, Guggenheim Museum (Nova York, EUA, 2010); Trienal da Tate Gallery (Londres, Reino Unido, 2003); 25ª Bienal de São Paulo (2002); e 4th Bienal de Santa Fé (2001).

 

* Bettina Funcke, ‘Shift to Liquid’ in Sarah Morris Bye Bye Brazil, London: White Cube, 2013

Imagens