Damián Ortega

Materialista

7 Mar – 17 Mai 2009


Galpão Fortes Vilaça

Materialista é o título da instalação inédita que o artista mexicano Damián Ortega criou especialmente para o Galpão Fortes Vilaça. Com oito metros de extensão, a obra engendra características fundamentais do trabalho de Ortega: a apropriação de objetos cotidianos, a desconstrução e os jogos com a linguagem.
 
Materialista é a palavra utilizada no México para designar um caminhão que transporta materiais de construção. Ao entrar no Galpão, é exatamente isso que se vê: um caminhão pendurado por cabos de aço ao teto do galpão. No entanto, o que nossa mente identifica imediatamente como um caminhão é uma escultura feita apenas de suas partes cromadas e de vazio. O radiador, o para choques, os para lamas, os espelhos, todas as partes cromadas estão penduradas ali como se houvesse de fato um motor, uma cabine e uma boléia. Mas há apenas espaço vazio entre elas. Nosso entendimento das peças presentes se dá pelo contexto no qual elas estão incluídas, pois apenas uma peça solta seria inidentificável e sua função imperceptível. Forma-se assim uma estrutura que se assemelha a uma constelação.
 
O jogo de sentidos entre o título da obra e o objeto da qual ela parte é um dado importante do trabalho. O caminhão materialista identifica-se com a distribuição de bens concretos, usados para construção, e, portanto está inserido numa lógica conhecida ou previsível de pesos e valores dos objetos que são levados de um lado para outro à vista de todos. Em oposição, a estrutura oca da obra enfatiza sua carga simbólica. Trata-se de um materialismo que se relaciona tanto a potência da matéria e da anti-matéria, quanto à própria lógica de valores do mercado de arte, onde o valor atribuído aos objetos nem sempre é visível.
 
A primeira vez em que Damián Ortega desmembrou um automóvel foi em 2002. Diferente de Materialista, sua obra Cosmic Thing trazia um fusca – ¬ ícone da promessa de modernidade – dilacerado, com todos os seus pedaços minuciosamente suspensos por finos fios de aço presos ao teto. Cosmic Thing foi exposta no ICA Institute of Contemporary Art, Philadelphia, USA, e depois na 50ª Bienal de Veneza, em 2003.

Damián Ortega é um dos artistas de maior projeção internacional de sua geração. Em 2008-2009 realizou uma grande exposição individual no Centre Pompidou, em Paris, na qual mostrou sua instalação Champ de Vision. Participou da 27ª Bienal de São Paulo em 2006; em 2007, foi selecionado para o Preis Der Nationalgalerie fur junge kunst, na Alemanha e em 2005 foi indicado ao Prêmio Hugo Boss.
 

Imagens