Efrain Almeida

Uma coisa linda

6 Nov – 20 Dez 2014


Abertura

6 Nov, 19h–22h


Galpão Fortes Vilaça


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Press Release

Texto curatorial por Marcelo Campos

Temos o prazer de apresentar Uma coisa linda, a nova exposição de Efrain Almeida no Galpão Fortes Vilaça. Pela primeira vez o artista usa o bronze, ao invés da madeira, como matéria-prima de suas obras. Compõem a exposição esculturas e aquarelas inéditas, além de uma grande instalação que dá título à mostra.

Efrain retorna com frequência ao sertão do Ceará, onde nasceu e passou a infância. Certa vez, testemunhou o pouso de um enorme bando de galos-de-campina, passarinhos típicos da região, no quintal da casa dos pais. O artista lembra que os pássaros “pousam apenas onde se sentem seguros”, o que amplia ainda mais a beleza dessa cena, evocada na instalação Uma coisa linda. Ocupando todo o piso do espaço expositivo do Galpão, cento e cinquenta esculturas de bronze policromado formam massas vultuosas de vermelho, preto e branco; um olhar mais aproximado, porém, possibilita descobrir a singularidade de cada peça.

Neste novo corpo de trabalho, o artista usa as peças esculpidas na madeira como moldes para a fundição em bronze. A técnica lhe permite trabalhar com entalhes ainda mais precisos e ao mesmo tempo preserva o aspecto frágil que caracteriza sua obra. Essa aparente fragilidade, no entanto, não corresponde à força intrínseca do trabalho de Efrain, que se expande para além da escala diminuta das figuras, apropriando-se do espaço que as circunda. De maneira semelhante opera a inédita Dois beija-flores (tesoura), em que duas esculturas são fixadas em uma grande parede, contrastando pequenez e amplidão. Instaladas pelo bico, as peças cristalizam o instante do beijo e o abre-e-fecha típico da cauda dessa espécie de beija-flor; a parede sustenta as esculturas, mas em certo sentido também é sustentada por elas.

No díptico de aquarelas Duas cabeças (autorretrato), em que o artista trata da memória, a reconstrução da própria imagem é delineada por aspectos subjetivos. Isso ocorre em toda a obra de Efrain que, apesar de recorrer com constância à observação da natureza, não procura ser um retrato do que encontra, mas sim a proclamação desse encontro – como observa Marcelo Campos no texto curatorial da mostra. Sua obra se refere ao que imana da matéria e por isso torna-se monumental.

Efrain Almeida nasceu em Boa Viagem, Ceará, em 1964, e atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro. Entre as diversas exposições do seu currículo, destaca-se Marcas – mostra retrospectiva sobre seu trabalho realizada em 2007 na Estação Pinacoteca, em São Paulo – e sua participação na Bienal de São Paulo de 2010. Sua obra está presente em diversas coleções públicas e privadas do Brasil e do mundo, entre as quais: MoMA – The Museum of Modern Art (Nova York, EUA), MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo (São Paulo, Brasil), CGAC – Centro Galego de Arte Contemporânea (Santiago de Compostela, Espanha) e Toyota Municipal Museum of Art (Toyota, Japão).

Imagens