Luiz Zerbini

Trepanações e Outros Artifícios

14 Abr – 5 Mai 2007


Galeria Fortes Vilaça

A Galeria Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar Trepanações e Outros Artifícios de Luiz Zerbini. Uma série de novas pinturas de grandes dimensões demonstram que Zerbini transita entre a figuração e a abstração com a propriedade que fizeram dele um dos pintores mais respeitados do país.  Nesta recente produção, o artista explora questões freqüentes no território da pintura, como materialidade, luz, transparência e surpreendentes efeitos ópticos.

No tríptico O Suicida Alto Astral, a estabilidade estrutural da tela presa ao chassi é abolida; Zerbini prende apenas a parte superior dos tecidos, deixando suas bases soltas. Em cada uma das partes verifica-se uma pintura diferente, imagens figurativas são colocadas lado a lado a detalhadas formas abstrato-geométricas. Protótipos de ossos humanos e caveiras com pequenos furos em seus crânios (trepanados), posicionados no chão e ligados aos tecidos através de longas cordas, completam a obra.  O mesmo acontece em outras três grandes telas, essas sob certa influência da Op Art.

Minha Última Pintura seduz pela paradoxal relação de ser a mais sintética das obras expostas e, ao mesmo tempo, ser exuberante. Uma gigantesca tela pintada de uma única cor prata, de brilho intenso, reflete o ambiente e os outros trabalhos expostos. Uma obra que cria no espectador um jogo de incertezas calcado na tensão entre o que ela mostra/reflete e o que fica oculto, dependendo da posição ocupada pelo espectador dentro do espaço expositivo. Minha Última Pintura é como o espelho negro do conto Música para Camaleões de Truman Capote os “olhos o miram, distraídos – são atraídos por ele contra vontade (…) O poder que ele tem é assim frívolo (…) quando o contemplamos por bastante tempo (…) se torna de um estranho azul prateado, o limiar de visões secretas; (…) nos sentimos à beira de uma viagem através do espelho.”

Para Zerbini, a idéia desta obra baseia-se no fato de que o último trabalho de um artista é, muitas vezes revelador: “No meu caso, resolvi adiantar minha ultima pintura, consegui prevê-la, talvez para poder discuti-la. Ela é pura filosofia, é uma pintura abstrata, figurativa e conceitual ao mesmo tempo. Ela é o que você quer que ela seja: silenciosa, poética e reflexiva. É minha obra prima”.

Ver um trabalho novo de Zerbini é sempre uma experiência singular. O artista multiplica constantemente as possibilidades formais relacionadas à sua pintura e rejeita qualquer estagnação à fórmulas pré-estabelecidas, impedindo a definição de uma linearidade em sua produção. O fio condutor de Luiz Zerbini é a constante mudança.

Em 2006, o artista lançou o livro Rasura, pela editora CosacNaify. Apresentado como um caderno de notas, Rasura articula-se como um guia para o acompanhamento do processo criativo do artista, além de cobrir sua produção desde a década de 1980.

Imagens