Gil Heitor Cortesão

Modelo para Armar

14 Abr – 12 Mai 2007


Galeria Fortes Vilaça

Modelo para Armar é a segunda exposição individual do pintor português Gil Heitor Cortesão na Galeria Fortes Vilaça. As quinze pinturas que compõem a mostra compartilham da mesma altura e formam uma espécie de “kit, um jogo para possíveis construções”, que possibilita diferentes formas de montagem. Na Fortes Vilaça, as pinturas estão penduradas lado a lado, na altura dos olhos, formando uma linha contínua que ocupa três paredes da galeria 2.

Todas as pinturas são feitas a óleo, mas Cortesão subverte a noção de óleo sobre suporte quando adota como superfície a ser pintada o lado de trás do suporte, no caso, chapas acrílicas transparentes. Como a imagem pintada não está na superfície, mas atrás dela, os trabalhos têm um acabamento liso que camufla a textura da tinta e rastros de trabalho manual, impedindo que o espectador possa ter um contato direto com a materialidade da pintura.

Como ponto de partida para a criação, o artista se apropria de imagens fotográficas prontas para em seguida alterá-las, colocando-as dentro do contexto pictórico. Para Modelo para Armar, Cortesão escolheu fotos de locais construídos antes de 1967, que possuem traços da arquitetura moderna, como o prédio do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro projetado por Affonso Reily e edifícios de Rino Levi e Eduardo Corona em São Paulo. Partindo de estruturas definidas por estas imagens, o artista desfaz seus contornos, criando espaços intimistas, imaginários e disfuncionais.

Além da referência arquitetônica, Cortesão lança mão da citação literária. O título da mostra faz uma alusão direta à obra 62 Modelo para Armar de Júlio Cortazar. Para Cortesão, o livro trata justamente do que ele aborda em suas pinturas, “a constante interpenetração do mundo do sonho no da vigília e a consciência da impossibilidade de traçar uma fronteira, um limite, uma distinção nítida entre o universo onírico, a memória real e as recordações inventadas. É impossível percorrer as ruas de sua cidade real sem que, a cada esquina, se insinue uma sombra, uma reminiscência ou um apelo vindos de outros espaços (…) e de outros tempos.”

Imagens