IES-FS_carpintaria_14

Iran do Espírito Santo & Fred Sandback

25 Ago – 10 Nov 2018


Abertura

25 Ago, 15h–18h


Carpintaria

Rua Jardim Botânico 971,
Rio de Janeiro

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O artista brasileiro Iran do Espírito Santo (Mococa, 1963) exibe uma seleção de trabalhos inéditos ao lado de obras do norte-americano Fred Sandback (Bronxville, 1943 – Nova York, 2003) na Carpintaria, espaço da Fortes D’Aloia & Gabriel no Rio de Janeiro cuja vocação é a proposição de diálogos, encontros e exercícios de pensamento entre diferentes artistas, formas de expressão e linguagens. O dueto, realizado em conjunto com o Fred Sandback Estate e a David Zwirner Gallery, sublinha as afinidades criativas das vastas produções artísticas da dupla, ainda que suas trajetórias estejam separadas por intervalos geracionais e distâncias geográficas.

Um dos principais nomes vinculados ao minimalismo norte-americano, Fred Sandback tornou-se internacionalmente conhecido por suas esculturas de lã acrílica, em que delineia o espaço tridimensional e cria formas volumétricas a partir de recursos mínimos. Na década de 1960, nos Estados Unidos, o minimalismo emerge no campo das artes visuais como uma reação às manifestações artísticas do pós-guerra. Artistas como Sandback, Donald Judd, Sol Lewitt e Agnes Martin questionavam, em suas obras, os preceitos do expressionismo abstrato, considerados por eles acadêmicos e já obsoletos. Deste modo, distanciavam-se dos simbolismos e da carga dramática das pinturas expressionistas e privilegiavam a materialidade dos objetos e aparatos que empregavam em suas criações, frequentemente de origem industrial.

Iran do Espírito Santo inicia sua obra na década de 1980, em São Paulo, após graduar-se pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). Afastando-se da pintura neo-expressionista, típica daquela década, o artista passa a questionar os códigos da representação visual em seus desenhos, esculturas e instalações, tensionando a relação entre o que é o visto e aquilo que é apreendido pela visão do espectador. É a questão que se apresenta, por exemplo, em Compressão horizontal (2018), pintura realizada diretamente na parede lateral direita da Carpintaria. Ao criar um gradiente de tons de branco, cinza e preto em uma parede com cerca de 15 metros de comprimento, o artista expande as possibilidades perceptivas do espaço expositivo.

A relação entre a obra e o ambiente em que esta se situa é questão fundamental também para as esculturas de Sandback. Ao esticar diferentes extensões de lã acrílica em disposições verticais, horizontais e diagonais, o artista desenvolve uma sintaxe visual singular, criando planos pictóricos e volumes arquitetônicos capazes de alterar a experiência de determinado espaço. Em Untitled (Sculptural Study, Ten-part Vertical Construction) (c. 1991-2018), dez fios fixados precisamente do chão ao teto da sala expositiva desvelam uma prática artística que mescla rigor e simplicidade, exatidão e experimentação.

O interesse de ambos pela linha torna-se evidente também na seleção de desenhos de cada um. Na série inédita UHT (2018) – sigla que designa “unidade de habitação temporária” – Iran rearticula volumes geométricos ao desenhar extensiva e repetidamente linhas horizontais e diagonais com grafite. Se para muitos artistas o desenho comumente ocupa o lugar de experimento e estudo anterior à confecção de esculturas ou pinturas, para essa dupla a prática do traço no papel revela-se como uma pesquisa das possibilidades intrínsecas do desenho enquanto plataforma em si. Empregando ora pastel ora lápis de cor, Sandback transcende o uso trivial do desenho enquanto esboço, projeto; busca, em contrapartida, transferir seu pensamento escultórico para o plano bidimensional.

Riscando o ar e as paredes, os trabalhos de Iran e Sandback adentram o campo da imaterialidade, transcendendo a fragilidade de seus materiais e tornando a luz e o espaço entrelinhas os agentes ativos do trabalho, elementos de alta solidez visual. Relacionando-se em uma situação instalativa no espaço da Carpintaria, as obras da dupla forjam não apenas uma correspondência ativa como instauram um estado de contaminação positiva entre si. Circunstâncias históricas e hiatos temporais à parte, trata-se do encontro de duas práticas artísticas que convergem no delicado território da precisão conceitual, da meticulosidade técnica e do rigor formal.

Imagens

Vistas da exposição
Obras

Vistas da exposição

Obras

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