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Rodrigo Matheus

Hiato

12 Abr – 19 Mai 2018


Abertura

12 Abr, 10h–13h


Galpão

Rua James Holland 71
São Paulo

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Em Hiato, nova exposição de Rodrigo Matheus em Fortes D’Aloia & Gabriel | Galpão, materiais oriundos da arquitetura urbana são rearticulados em obras que evocam o ambiente doméstico. O artista explora assim a relação interior/exterior, como uma maneira de lidar poeticamente com a própria natureza do seu trabalho escultórico. Esse deslocamento semântico cria um intervalo de significados – e é precisamente nessa zona limítrofe que Matheus opera, forjando novas e inesperadas relações aos elementos que compõem suas esculturas.

Na ocasião da abertura, Rodrigo Matheus lança ainda seu livro monográfico pela Editora Cobogó, uma publicação com textos de Matthieu Lelièvre, Philip Monk e Kiki Mazzucchelli que abrange sua trajetória artística dos últimos 10 anos.

Moeda é uma escultura cinética com centenas de lantejoulas douradas, cujo aspecto sedutor contrasta com a natureza nociva do grid que lhe serve de suporte. O artista usa aqui espículas anti-pássaros, um dispositivo arquitetônico cuja função é impedir que aves pousem no parapeito das janelas. Rodrigo Matheus incorpora esse teor para sua obra, mas também o subverte. Em texto publicado no livro do artista (Editora Cobogó, 2018), Kiki Mazzucchelli analisa: “Uma das operações mais evidentes na metodologia do artista é a neutralização da função original dos objetos. Embora imediatamente reconhecíveis, já não possuem serventia alguma no contexto em que se encontram inseridos, num movimento de obsolescência forçada que ressalta seu potencial estético e narrativo. A perda da funcionalidade é somada à aproximação e ao encadeamento de elementos díspares, resultando em composições que sugerem uma espécie de narrativa incompleta e não linear que permite inúmeros pontos de entrada e saída, como se cada objeto correspondesse a um signo de uma linguagem ao mesmo tempo familiar e indecifrável.”

Rodrigo Matheus explora ainda a armação modular das espículas em outras obras da exposição. Em Margem, o material é suporte para um emaranhado de fios de lã, enquanto a paisagem de Janela é criada com telas coloridas de algodão. A presença dos gravetos em Ascensão, por sua vez, contrapõe-se à composição triangular das espículas, desenhando linhas orgânicas no espaço.

De maneira análoga, Cortina e Arco trazem pesadas esferas de concreto – também empregado como barreira arquitetônica, esse material é usado em praças públicas e privadas para delimitar a circulação de pessoas. Nessas obras, porém, torna-se a base de estruturas autoportantes e recebem arranjos com voal, zíper e penas.

Rodrigo Matheus nasceu em São Paulo em 1974 e atualmente vive e trabalha em Paris. Entre suas exposições individuais recentes estão: Soft Spectacle, Ibid Gallery (Los Angeles, 2017); Ornament and Crime, Galerie Nathalie Obadia (Bruxelas, 2016); Do Rio e para é to Rio and from, Galeria Silvia Cintra + Box 4 (Rio de Janeiro, 2014); Colisão de Sonhos Reais em Universos Paralelos, Fundação Manuel António da Mota (Porto, 2013). Suas participações em coletivas incluem: Fade in 2: Ext. Modernist Home – Night, Museum of Contemporary Art (Belgrado, 2017); Fade in: Int. Art Gallery – Day, Swiss Institute Contemporary Art (Nova York, 2016); Museum On/Off, Centre Pompidou (Paris, 2016); What separates us, Sala Brasil, the Embassy of Brazil (Londres, 2016); Le parfait flâneur, Palais de Tokyo hors les mûrs, Halle Girard (Lyon, 2015); 3ª Bienal da Bahia, MAM Bahia (Salvador, 2014); Imagine Brazil, Astrup Fearnley Museet (Oslo, 2013); 32ª Panorama da Arte Brasileira, MAM SP (São Paulo, 2011). Sua obra está presente em importantes coleções, como Instituto Inhotim (Brumadinho), MAM (Rio de Janeiro), MAM (São Paulo) e Pinacoteca do Estado (São Paulo).

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