Rodrigo Cass

Até o Concreto

20 Ago – 29 Out 2016


Abertura

20 Ago, 11h–14h


Galpão Fortes Vilaça


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Press Release

A Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar Até o Concreto, a segunda exposição individual de Rodrigo Cass. O artista paulistano apresenta trabalhos inéditos em vídeo, escultura e pintura, que tem a cor e o conceito de ruptura como elementos centrais, solidificando sua linguagem pessoal.

Nos três vídeos projetados sobre blocos de concreto, ações performáticas de curta duração são repetidas de maneira exaustiva. Em Até o Concreto (2016), o artista recorta papéis coloridos com a mão num movimento em espiral. O plano se transforma em círculo e o círculo em ponto até a cor se confundir com o concreto. A irregularidade do movimento e a imperfeição das bordas emprestam força física à imagem de uma pintura em movimento feita pela subtração da cor. Espaço Liberto (2015) apresenta bordas de madeira colorida que se equilibram precariamente nas margens do quadro, sendo permanente reconstruídas pelo artista em infinitas combinações. Em O Social (2016), garrafas e recipientes diversos se alternam na tela num movimento autômato, mas com forte carga sexual.

O conjunto inédito Superfícies Mínimas (2016) é composto por pinturas em tecido de cores vivas com intervenções de concreto branco ou cinza. Os trabalhos remetem a uma ação constante de apagamento em que composições geométricas complexas aparecem sempre cheias de fissuras, falhas e zonas vazias. Essas composições exploram a noção de abstrahere (abstrair ou isolar uma parte de um todo). Abstrahere pode se referir também a escolhas, renúncias ou experiências incompletas.

Nas esculturas, o artista combina blocos de concreto com objetos de uso pessoal.  Em Torso (2016) um cinto de couro envolve o topo de um bloco de concreto no diâmetro exato da cintura do artista. Já em Ascese (2016), seus sapatos ascendem a um bloco similar, num movimento ambíguo. O ímpeto de alcançar o topo e atingir a Alta Contemplação*, ou profunda união com o sagrado, se confunde com o movimento brusco dos sapatos afundando no cimento. Americae Praeterita (2016) traz um livro aberto com gravuras de índios crucificados e devorados em rituais de antropofagia, incrustado em um bloco de concreto.

Rodrigo Cass nasceu em São Paulo, em 1983, onde vive e trabalha. Suas exposições individuais incluem: Espaço Liberto, Galerie MDM (Paris, 2015); Galeria Meyer Riegger (Carlsrue, Alemanha, 2015), Material Manifesto, Galpão Fortes Vilaça (São Paulo, 2014); Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo (São Paulo, 2013). Entre suas coletivas, destaque para: 10ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2015); Imagine Brazil – mostra itinerante que já passou por Astrup Fearnley Museet (Oslo, 2013), Musée d’art contemporain de Lyon (Lyon, 2014), Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2015); DHC/ART (Montreal, 2015) –; Bolsa Pampulha, Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte, 2011). O artista tem participado, ainda, de diversas exposições e festivais dedicados à videoarte ao redor do mundo.

 

* “Glosas sobre um êxtase de alta contemplação e Glosas da alma que pena por não ver a Deus” em (São João da Cruz. Obras Completas. Org. Frei Patrício Sciadini, O.C.D., Petrópolis: Vozes, 1984, p. 38).

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