Adriana Varejão

12 Nov – 19 Dez 2009


Galeria Fortes Vilaça

A Galeria Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar novos trabalhos de Adriana Varejão. Numa grande virada no curso de sua produção, a artista mostra cinco pinturas tridimensionais que surpreendem por suas cores, formas e imagens jamais vistas em seu trabalho, ao mesmo tempo em que alinham-se conceitualmente à produção anterior da artista.

Todas as pinturas têm a forma de pratos fundos de um metro e meio de diâmetro, e apresentam de forma singular personagens míticos e frutas frescas, fundos dos mares, conchas e castelos de areia. Se em sua conhecida série de Azulejões, a artista ampliava a escala do azulejo português, desta vez ela toma como ponto de partida a produção de faiança de Caldas da Rainha no século XIX, em Portugal. A artista amplia a escala dos pratos e apropria-se de temas, cores e transparências, além dos elementos tridimensionais originalmente presentes nestes pratos como ornamento.

A carne crua e os charques dão lugar aqui a frutos frescos, que como num banquete, são servidos em pequenas porções. Em Mãe d’água, uma sereia negra reina altiva sobre um fundo de mar revolto azul profundo cercada de seres marinhos e de um menino negro com a pele machada de branco, que se confunde com a espuma do mar. Sobre a superfície côncava do prato estão jabuticabas maduras de casca brilhante e escura, inteiras e redondas. Toda a superfície foi desenvolvida por Adriana para que pudesse ser finalizada à óleo, tanto o fundo quanto os frutos tridimensionais.

Num outro prato, Sereias Bêbadas nadam em torno de suculentos figos, seus corpos se confundem com frutas e conchas numa imagem de erotismo latente, “um erotismo natural, sem mal e sem psicanálise”. Em Nascimento de Ondina, outro fundo de mar – este povoado por algas ou corais – revela uma sereia que carrega uma criança no colo. Algumas conchas estão neste prato e uma delas, entreaberta, guarda um feto. Outra imagem de fertilidade aparece na gema de ovo de Pérola Imperfeita, na qual mergulhadoras nuas nadam sobre um fundo de bronze ligadas a um enorme ouriço do mar.

Os pratos são pintados na frente e também no verso, com padronagens de origens distintas: ming, song, marajoara, catalã. Na quinta pintura, um Castelinho de Areia, aparece flutuando sobre o azul. A arquitetura mole e precária parece reafirmar um certo aspecto onírico de todas as outras figuras. A artista sinaliza assim para o fato de que dentro de sua ficção histórica ¬ deste enorme emaranhado de histórias e tempos diversos – há espaço também para as narrativas particulares, interiores, e para reflexões atemporais.

No momento, a editora Cobogó finaliza o maior livro já feito sobre a obra de Varejão. A publicação cobre desde o início de sua carreira no final dos anos oitenta até os trabalhos desta exposição. Com quatro textos e cento e vinte obras reproduzidas, o livro será lançado no início de 2010.
 
 

Imagens