Tertúlia

28 Jan – 27 Fev 2016


Abertura

28 Jan, 19h–22h


Galeria Fortes Vilaça


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Press Release

Adriana Varejão | Agnieszka Kurant | Alejandra Icaza | Beatriz Milhazes | Erika Verzutti | Jac Leirner | Janaina Tschäpe | Leda Catunda | Lucia Laguna | Marina Rheingantz | Marine Hugonnier | Rivane Neuenschwander | Rosângela Rennó | Sara Ramo | Sarah Morris | Tamar Guimarães | Valeska Soares

A Galeria Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar Tertúlia, exposição que reúne trabalhos das mulheres artistas que integram e/ou integraram a trajetória da Galeria ao longo de seus 15 anos de atuação. Obras recentes e históricas mesclam-se com documentos de arquivo – entre reportagens, fotos e postais –, a partir de uma seleção afetiva do inventário da Galeria.

Tertúlia, cujo significado é reunião de amigos ou familiares, promove o encontro entre essas diversas mulheres e destaca a pluralidade de seus diferentes suportes, discursos e contextos. Exemplos dessa diversidade criativa estão, por exemplo, no diálogo entre a pintura inédita Seaford (2016) de Marina Rheingantz com a enigmática Tropical II (2012) de Rosângela Rennó. Apesar de ambos os trabalhos lidarem com a paisagem, cada um manipula a seu modo a experiência do real, oferecendo ao espectador apenas sugestões ou vestígios.

Em Big Polvo Color Wheel I (2015), Adriana Varejão emprega suas Tintas Polvo (desenvolvidas a partir de tons de pele) para construir uma pintura circular, similar a um diagrama cromático. Dessa maneira, a artista transforma um método científico – o círculo de cores é comumente usado para esquematizar a forma como vemos a cor-luz – em um instrumento para ver a cor da pele (ou raça), atribuindo às matizes um viés político-social. Erika Verzutti também apropria-se de uma roda cromática na sua escultura de bronze Goethe (2016). Aqui, porém, o círculo converte-se em uma íris ocular, em alusão bem-humorada à teoria da cor formulada pelo pensador alemão.

Artistas estrangeiras também são apresentadas, refletindo o diálogo profícuo que a Galeria Fortes Vilaça mantém com o circuito internacional. Em A.A.I. 10 (2015), a polonesa Agnieszka Kurant “terceiriza” a produção artística a cupins de laboratório. Trabalhando com entomologistas, a artista fornece aos insetos materiais diversos como ouro e cristais para a construção de seus cupinzeiros, resultando em formas híbridas. A francesa Marine Hugonnier, por sua vez, apresenta com Anima (2014) uma série de esculturas abstratas. O título faz referência às palavras: alma ou espírito ou psyche (tradução grega). Estas obras estão posicionadas em bases espelhadas nas quais o reflexo agrupa o espectador, seu entorno e a escultura em si para criar um único corpo.

Concebida pela própria equipe da Fortes Vilaça, Tertúlia celebra o protagonismo exercido pelas mulheres na arte do Brasil em um momento em que se discute cada vez mais sobre a representatividade feminina na cultura. Trata-se de uma posição historicamente consolidada por nomes como Tarsila do Amaral e Lygia Clark (para citar apenas duas) e que reverbera até os dias de hoje, nacional e internacionalmente. A história das mulheres da Galeria Fortes Vilaça relaciona-se, portanto, com essa tradição singular e ao mesmo tempo contribui para manter seu importante legado na arte contemporânea.

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