Valeska Soares

passa tempo

19 Set – 7 Nov 2009


Galpão Fortes Vilaça

A Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar a exposição passa tempo, de Valeska Soares, no Galpão. A artista mostra esculturas e instalações inéditas que têm como tema central a relação entre memória, afeto e percepção do tempo.

A obra Vertigo é formada por dezenas de cake stands – pedestais de doces – de vidro, porcelana, espelho e prata, que se equilibram uns sobre os outros e são agrupados por afinidade de cores e materiais ou mesmo por oposição de estilos. Colunas que atingem até 1,45 m de altura dispostas diretamente no chão, aludem às “colunas infinitas” de Brancusi. Como estruturas arquitetônicas, Soares transforma os cake stands em “torres” que parecem poder desmoronar a qualquer momento. O espectador se vê caminhando por um campo minado e experimenta uma sensação de perigo e vertigem.

O conceito de fragilidade também está presente na colagem da série Sugar Blues, na qual Soares utiliza embalagens dos doces consumidos por ela e seus amigos no dia a dia. O exagerado consumo pode ser visto como uma forma de matar o tempo. Com contornos geométricos, a colagem tridimensional de verve construtivista fica pendurada na parede. A artista se apropria destes objetos “reinventando suas histórias”.

Em Horizontes, dezenas de caixas de madeira – de charuto, de maquiagem, de costura e colecionadas por Soares ao longo de anos – são penduradas na altura dos olhos, formando uma grande linha do horizonte de doze metros de comprimento. A artista explora a carga semântica das caixas como signo de memória e tempo. As caixinhas marchetadas têm típicas paisagens do Brasil, um coqueiro na praia ou uma araucária na montanha. Estes desenhos se unem em pontos chave: uma montanha de uma caixa liga-se ao lago de outra, um rio deságua no mar da outra caixa, formando uma única imagem.

A instalação Entanglement, formada por duas cadeiras de vidro vazias unidas por vários banquinhos de descanso de pé (que datam de 1800 a 1980) constrói uma colorida colagem, uma trama de texturas e histórias. A obra manifesta de forma sublime a idéia da ausência, da passagem inexorável do tempo, sendo um emaranhado de memória e de vida. Entanglement confirma que Soares se apropria da história que cada objeto carrega, mais do que do objeto em si.

A artista reside em Nova York desde 1992. Participou das Bienais de São Paulo (2008), de Sharjah (2009), de Istambul e de Taipei (2006), além da 51ª Bienal de Veneza (2005). Em outubro de 2009, inaugura um pavilhão individual no Inhotim Centro de Arte Contemporânea, Brumadinho, no qual poderá ser vista a obra Follies, anteriormente exibida na Bienal de Veneza.
 
 

Imagens