Erika Verzutti

À Sombra das Raparigas em Flor

4 – 27 Mai 2006


Galeria Fortes Vilaça

A Galeria Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar sua segunda exposição com a artista paulistana Erika Verzutti. A mostra compreende pinturas sobre MDF, uma escultura em bronze e alguns desenhos. O título À Sombra das Raparigas em Flor- segundo volume de Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust – tem uma relação quase literal com as pinturas de vestidos de Verzutti mas também revela um interesse da artista na estratégia Proustiana de criar estímulos visuais diferentes sem estabelecer uma conexão necessária entre o significado das imagens.

Nesta nova série, Verzutti pinta com tinta acrílica sobre MDF recortado na forma de vestidos. Figuras díspares como um buquê de flores, uma foca, uma paisagem ou um abacaxi são organizadas em uma silhueta própria de cada vestido. Trata-se de um repertório de imagens cotidianas, muitas delas ligadas ao universo ornamental ou da cultura de massas, a artista cria um embate permanente com hierarquias e formas convencionais de organização na figuração.

Não há escolha por uma perspectiva, mas a colagem de perspectivas variadas. Não há opção por uma paleta ou um estilo específico mas a acumulação e sobreposição destes. Incorporando acidentes no trajeto da pintura, a artista transforma uma tinta escorrida em uma flor, que por sua vez cria a necessidade de um jardim, de um céu, etc..Muitas vezes aparece uma cor "puxada", expandida a partir de uma figura. A aposta num certo descompromisso com a pintura revela-se não apenas na ausência de uma hierarquia, mas também numa prática artística que privilegia o objeto híbrido: a forma recortada dá a pintura status de objeto; confunde propositadamente arte e decoração.

O mesmo princípio de "puxar" uma imagem é usado num grupo de desenhos onde a artista usa aquarela para ampliar as formas originais de recortes de papel com imagens de doces. A escultura de bronze policromado Saramandaia mostra um emaranhado de coisas arranjadas num vaso como se fossem flores. Cada uma das formas – mulher, bicho, flor, tinta, fruta – emerge como se fosse criada pelo próprio vaso. A repetição de certos elementos, seja no desenho, pintura ou escultura, e o reprocessamento constante deles indica a busca por uma linguagem visual que se auto alimenta, criando um universo particular.

Imagens